Figura história controvertida, polêmica, Maria Antonieta ficou conhecida mundo afora por comentário que teria dito pouco antes da explosão revolucionária francesa em 1789, iniciada com a Queda da Bastilha. A “austríaca” que se tornou rainha da França, caiu na boca do povo faminto ao dizer que “se ao povo faltam pães, que comam brioches”, numa cabal prova do desconhecimento e total alienação dos nobres franceses em relação a plebe.
Se a frase é verdadeira ou não ainda é um mistério. Há historiadores que afirmam ser tal comentário uma fraude. Outros, no entanto, devido ao rancor da população em relação a rainha, pensam que tal pronunciamento, mesmo que não totalmente semelhante ao que caiu na boca do povo, pode ser verdadeiro.
De qualquer forma, o filme esplendoroso de Sofia Coppola (diretora deEncontros e Desencontros, e filha do mestre Francis Ford Coppola) que resgata a existência desta polêmica rainha, casada com Luís XVI, é um valioso exemplar de filme épico que tenta nos colocar em contato com a figura humana por trás da celebridade, da autoridade, do mito e de todos os mexericos criados quanto aos poderosos.
Numa época como a atual, em que não há mais limites a separar aquilo que é público do que é privado quanto a vida dos famosos, falar sobre as intimidades de Maria Antonieta não parece tão importante. Mas humanizar aquilo que aos olhos de todos é apenas vaidade, egocentrismo, riqueza, luxo e pouco caso nos permite perceber que a personagem vivida nas telas com maestria por Kirsten Dunst era vítima das circunstâncias e do contexto em que vivia.
Casada por conveniência, para selar a paz e acordos de cooperação entre seu país de origem (a Áustria) e a França, vivendo ao lado de um marido que pouco parecia se interessar por ela (mesmo sexualmente, numa época de extrema libertinagem), sofrendo com a xenofobia dentro dos castelos em que vivia, distanciada do povo por opção da nobreza como um todo, que não se permitia qualquer contato com a “ralé” e pressionada socialmente para se tornar mãe do herdeiro do trono da França, Maria Antonieta era uma mulher sofrida que diante de seus amargores, se refugia no luxo, na riqueza, na posição que a vida lhe ofereceu…
Se não bastasse toda a bela composição de época quanto a locações, figurinos, cenografia, fotografia e demais quesitos técnicos ímpares destacados nesta produção de Sofia Coppola, a música incidental inovou os rumos das obras épicas ao misturar o clássico com o contemporâneo, de acordo com o momento e a necessidade do filme e da história que estava sendo contada. Um belíssimo filme. Indispensável para quem admira a Sétima Arte.
Maria Antonieta também é valioso por nos permitir paralelos com o mundo de hoje… Por exemplo, o distanciamento dos poderosos em relação a plebe pode servir muito bem para entender o que ocorre entre o Congresso Nacional do Brasil e seus eleitores… Outra boa comparação relaciona-se a forma como as pessoas se relacionam com seus ídolos, alimentando sentimentos de amor e ódio de acordo com o que é trazido a público pela grande mídia, sejam informações verdadeiras ou apenas boatos (o recente falecimento de Michael Jackson, o rei do pop, demonstra claramente isto)…
Por João Luís de Almeida Machado
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