O crescimento do setor aéreo em nível mundial foi impressionante nos últimos 30 anos. O segmento teve que modernizar-se rapidamente para que pudesse dar conta da demanda avassaladora por novos vôos. Os jatos tornaram-se mais confortáveis e inúmeros serviços passaram a ser oferecidos a bordo para tornar as viagens ainda mais atraentes e fidelizar os clientes para as companhias aéreas, em sua competição acirrada nesse mercado apetitoso.
Por trás das cortinas ficavam os controladores de vôo e todo o sistema que operacionaliza e procura normatizar e racionalizar as idas e vindas de tantas aeronaves. A vida dos passageiros relaciona-se não apenas a astúcia e a habilidade dos pilotos e co-pilotos, mas também a dos técnicos e engenheiros que diariamente controlam das torres dos aeroportos esse intenso tráfego aéreo.
Nos Estados Unidos a dimensão dos acontecimentos no setor é ainda maior quando comparada com os demais países do mundo. Nesse sentido é necessário salientar que nem todas as medidas básicas de segurança para os vôos que saíam de aeroportos americanos haviam sido tomadas até 11 de setembro de 2001...
E é a partir dos controladores de vôo de Boston, do aeroporto de onde saíram as aeronaves que seriam utilizadas como mísseis tripulados e com passageiros contra o pentágono e as torres do World Trade Center, que passamos a ter uma visão geral das dificuldades pelas quais passam os trabalhadores do setor e também do caos, conturbação e pânico que se estabelecem quando alguns vôos somem dos radares, cortam contato com os controladores ou ainda que dão indícios de que foram vítimas de seqüestros no ar...
Em “Vôo United 93”, o diretor e roteirista Paul Greengrass nos coloca nas torres de controle (ou seriam de descontrole?) de Boston e de outros aeroportos diretamente afetados pelos acontecimentos, nos setores de monitoramento de vôos da aeronáutica dos Estados Unidos e também dentro do vôo 93 da United Airlines, o único dos aviões que não atingiu o alvo previsto pelos terroristas...
E vamos acompanhando, com os nervos à flor da pele, em crescente tensão, o desenrolar dos acontecimentos que colocaram os Estados Unidos e o mundo todo em polvorosa, à beira de ataques de nervos, com um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento em várias partes do planeta...
“Vôo United 93” provoca ainda mais os espectadores por colocá-los em contato com uma história que não é ficção. As pessoas retratadas na produção realmente existiram e lutaram por suas vidas e pelas de tantas outras pessoas. Ao medo e a insegurança adicionam-se a bravura e a coragem dos passageiros daquele vôo que evitaram uma tragédia ainda maior e que, com suas vidas, deixaram para nós um exemplo inesquecível de audácia, força e valentia...
Por João Luís de Almeida Machado
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