Zelig (EUA, 1983)



Em meio ao ritmo alucinante da década de 1920, na efervescência do American Way of Life, quando a imprensa vive de escândalos e novidades escabrosas e chocantes que permitam a venda de tiragens cada vez maiores de seus jornais, surge entre várias personalidades marcantes do período a figura do homem-camaleão, Leonard Zelig (Woody Allen).

Identificado aos poucos, na medida em que assume rostos e hábitos muito diversificados em um mesmo ambiente (chegou a aparecer como mafioso, ao lado de chefões da "Cosa Nostra", com a aparência e os trejeitos típicos de um virulento gangster e, no mesmo dia, foi visto entre os músicos de uma banda de jazz e blues que tocava para animar os freqüentadores dessa casa noturna onde se encontravam os mafiosos), Zelig ganha notoriedade e passa a ser estudado com curiosidade por médicos, psicólogos e pesquisadores de universidades especializadas em saúde para que se possa detectar a "doença" que o atormenta.

Entre os diagnósticos, das mais variadas espécies, há desde constatações de caráter psicológico e psiquiátrico até tentativas de associar seu caso a problemas físicos, provenientes de disfunções de determinados órgãos. Há determinados prognósticos que estipulam tempo de vida curto para o famoso paciente (cujas fotos estão espalhadas por jornais de variadas tendências, especialmente, nas capas dos diários sensacionalistas).

A única pessoa que realmente parece preocupar-se com Zelig é a doutora Eudora Fletcher (Mia Farrow), que tenta a todo custo descobrir as causas do mal de Zelig e acaba se apaixonando por esse homem-camaleão...

Para que tudo tenha um aspecto de maior fidedignidade, Zelig é apresentado em vários momentos ao lado de figuras destacadas da sociedade norte-americana dos anos 1920, como o presidente Woodrow Wilson, o jogador de baseball Babe Ruth, o ator Charles Chaplin ou o escritor F. Scott Fitzgerald.

Woody Allen revela toda a sua criatividade ao filmar a história de Zelig como um "pseudo-documentário" (o que pode não agradar a muitos espectadores), além disso, para firmar o conceito de época, apresenta o decorrer da história com filmagens em preto e branco alternadas por depoimentos de pessoas notórias (como os escritores Saul Bellow e Susan Sontag ou o psicólogo Bruno Bettelheim). Diversão garantida!

Por João Luís de Almeida Machado

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